NOTA DE PRONUNCIAMENTO DO VLV SOBRE O CASO DE VIOLÊNCIA OCORRIDO DIA 27
No dia 27 de janeiro, durante uma atividade da segunda edição do Festival Vulva la Vida, presenciamos uma situação de agressão entre mulheres, sobre a qual gostaríamos de nos posicionar criticamente por meio desta nota.
Queremos explicitar que o Festival Vulva la Vida tem como pilar a construção de novas práticas e valores a partir do questionamento das opressões com base nas relações de gênero. Embora o feminismo por muito tempo tenha construído a imagem do homem como agressor típico, entendemos que é preciso ir além e pensar as relações de poder que se constroem entre mulheres. Falamos muito em “espaços seguros”, mas o ocorrido só mostra que a ausência de homens-cis gênero desses espaços não é, em hipótese alguma, garantia de um ambiente de fato livre de opressões.
Por essas razões nós acreditamos que é importante dar visibilidade a estes casos de violência, que, por escaparem do nosso modelo tradicional de conflito (heterossexual), muitas vezes passam desapercebidos. Basta compararmos as nossas reações, enquanto feministas, frente a casos de agressões que, diferentemente do ocorrido, partiram de homens: com quanto empenho e energia nos levantamos indignadas e denunciamos?
Lamentamos o fato, e agimos no momento para que todxs presentes tomassem conhecimento da situação de agressão – o que levantou um intenso debate que veio até mesmo a interferir na programação do Festival – pois consideramos que essa era a opção mais ética, visto que discussões sobre consenso sexual, espaços seguros e consentimento foram a tônica desse Vulva la Vida.
Esperamos assim caminhar em direção a uma compreensão mais radical das complexas dinâmicas de poder para além do binarismo homem-mulher, interseccionando gênero, sexualidade, raça, classe e outros marcadores sociais, para que conquistemos a segurança que tanto reivindicamos.
Nenhuma agressão ficará sem resposta!
Organização Vulva la Vida
Salvador, 06/02/2012
VULVA LA VIDA 2012
Tá chegando a hora… Menos de uma semana pra início dessa segunda edição do Festival Vulva la Vida, e algumas informações para divulgar, outras pra reiterar. Vamos lá!
As oficinas já tem lugar confirmado: serão na FACED (Faculdade de Educação da UFBA), que fica na Av. Reitor Miguel Calmon, S/N, no Vale do Canela. Pra chegar lá, você pode ir pela Avenida Cardeal da Silva (Federação) e descer no ponto de ônibus da Creche da UFBA, ou pelo Vale do Canela e descer no ponto em frente à FACED. As atividades acontecerão no segundo andar do prédio, e, além das oficinas presentes na grade de programação, teremos espaço para atividades paralelas, como feira de trocas, venda de materiais, zines e lanche (vegan). Traga seus stencils, camisas e tintas, e vamos estampar na hora! Não esqueça de levar copo ou caneca, para evitarmos o uso de descartáveis, lanchinho (vegano, sempre!) e o que mais pintar para ser compartilhado.
Se você não conseguiu se inscrever em alguma oficina, não deixe de ir pro Festival! Pode acontecer desistências de última hora, e também haverá espaço pra articulações espontâneas. Porém, se você se inscreveu, lembre-se que está ocupando uma vaga. Seja pontual, para aproveitar os momentos de interação informal e não atrasar a programação.
A oficina de monstagem de som e palco, a festinha de aquecimento e o show serão no Visca Sabor & Arte, que fica no Rio Vermelho, em frente à casa de Yemanjá, perto do Sunshine (ex-Idearium). É perto da FACED, mas é preciso pegar um ônibus para chegar até lá (qualquer um que vá pro Rio Vermelho). Já no domingo todas as atividades do dia serão na cozinha da Cooperativa de Rango Vegan (Rua do Passo, número 62, Pelourinho).
Vamos acabar com a sociedade do espetáculo: este é um espaço construído coletivamente, e todas são igualmente responsáveis por um ambiente livre de sexismo, lesbofobia, especismo, racismo, etc. Embora a maioria das atividades seja gratuita, precisamos de caixa para cobrir os gastos e financiar a próxima edição do Vulva la Vida. Por isso, incentivamos a doação espontânea durante o evento!
Festival Vulva la Vida 2012
FESTIVAL VULVA LA VIDA 2012
24 a 29 de Janeiro de 2012
Vixee, senta que lá vem é história… Há um verão atrás foi lançada, sem muita pretensão, uma convocatória feminista para construir um festival de contra cultura de e para mulheres, em Salvador. A intenção era colocar em contato as feministas da cidade sintonizadas com a ideia da cultura enquanto poderosa arma política e ver no que dava.
Assim, o que começou como um delírio de amigas foi crescendo, virou documentário, show, mostras… O festival foi divulgado por pessoas de todo o Brasil – e em outros países também – o que, ao nosso ver, é sintomático da nossa carência por atividades do tipo.
Ao longo do ano nós fizemos uma série de atividades para promover e financiar essa segunda edição do festival. Em março rolou a mostra Cine Feminista, que também foi reproduzida pelas compas de Recife e Natal. Em 28 de setembro (Dia de Luta pela Descriminalização do aborto), nós lançamos o documentário sobre a primeira edição do festival, chamado “Vulva la vida, Vida lá vou eu”, que foi exibido em eventos em Natal (RN), Fortaleza (CE), Maracanaú (CE), Brasília (DF), São Paulo (SP), Bogotá (Colômbia). Além disso, em Novembro, nós organizamos o Retome a Noite, no dia mundial pelo fim à violência contra as mulheres, com show, exibição de vídeos temáticos e intervenção urbana.
Apesar de sediado em Salvador, o Vulva la Vida é fruto dessa rede de apoio mútuo, mas sem perder de mente o nosso lugar de fala, que é o contexto do Nordeste, com todas as dificuldades que isso implica para a construção de um evento do tipo.
Como todo projeto que envolve várias pessoas, idéias e práticas, o VLV foi mudado, repensado, mas sua essência continua a mesma: a ética do faça você mesma com todo o espaço para as diversas formas de expressão, fala e atuação feministas.
É aquela coisa, mude o mundo, comece por você!
Lembrando sempre que este é um espaço conquistado, construído horizontalmente, de modo a romper com a relação de consumo (seja de informações, de ativismo, de ideias, etc).
Somos loucas, histéricas, putas, anarkas, mal comidas, bruxas, punks, sapatas, transviadas, peludas e estamos aqui para te tirar da sua zona de conforto!
É portanto com muita excitação, alegria, ansiedade, tesão e felicidade que fazemos esse chamado público para a segundo edição do Festival Vulva la Vida, a ser realizado de 24 à 29 de janeiro de 2012 em Salvador (BA)!
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO AQUI
RETOME A NOITE (25 de Novembro em Salvador)
Fazendo referências às manifestações que ocorrem em todo o mundo em protesto à violência contra as mulheres, a expressão “Retome as Noites” é uma resposta não somente a violência física, mas também ao direito de se mover livremente nas ruas de dia ou de à noite, sem a insegurança que nos paralisa frente aos casos constantes de assédio, violência física ou verbal.
No dia 25 de novembro de 2011, o coletivo Vulva La vida repete este ato e vai as ruas no dia de combate a violência contra a mulher para protestar com intervenções urbanas, exibição de vídeos, panfletagem e venda de materiais feministas para arrecadar dinheiro para o festival anual que na cidade, entre 24 e 29 de Janeiro.
O “retome a noite” ainda conta com shows de bandas soteropolitanas, entre elas a Egrégora, Macumba Love e Bergamota. A ação acontece a partir das 18h00 no largo da Dinha, Rio vermelho, de graça.
Segunda edição do Festival
A segunda edição do Festival Vulva la Vida já tem data marcada e será de 24 a 29 de janeiro de 2012!
Mora em Salvador e quer hospedar garotas de outros estados que virão pro Vulva la Vida? Quer vir pra segunda edição do Vulva la Vida em Salvador mas não tem onde ficar? Entre no grupo do VLV no CouchSurfing: http://www.couchsurfing.org/group.html?gid=46300
Em breve mais informações!
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Acompanhe nossas atividades: Vulva la vida no facebook e twitter!
No dia 28 de Setembro de 2011, o Coletivo Vulva la Vida lança sua convocatória, no mesmo dia em que milhares de mulheres no Brasil estão numa sinergia pelo Dia de Luta pela Descriminalização do Aborto. É na inspiração dessa energia, dessa vontade de decidir sobre nossas vidas, que abrimos nossa segunda edição da Convocatória com o lançamento do documentário “Vulva la vida, vida lá vou eu”, fruto de toda provocação feminista gerada na primeira edição do Festival Vulva la Vida. O documentário resgata a experiência da primeira edição do Festival que aconteceu em Salvador (BA), entre 19 e 23 de janeiro de 2011 e abarcou shows, oficinas, e debates voltados para a construção de valores e práticas anti-sexistas e o fortalecimento da solidariedade feminista. O vídeo conta com falas de organizadoras e participantes do festival, que compartilham suas leituras sobre o evento, enfatizando desde o processo de construção do Vulva la Vida, até avaliações sobre a repercussão do mesmo, que de forma autônoma e idependente conseguiu atrair mulheres de diversos contextos, tanto da Bahia quanto de outros estados.
Não é a toa que o entusiamos e a união fez constituir o Coletivo Vulva La Vida, que agora chama mulheres/garotas interessadas em participar na construção autônoma e faça-você-mesma de uma festança contracultural feminista que será a segunda edição do Festival, marcado para Janeiro do ano que vem. A proposta do coletivo é agregar diversão à politica, baseando-se na cultura Riot Grrrl, resgatando o espirito rebelde para o feminismo. Estará aberta a convocatória, entre os dias 28 de setembro à 28 de outubro. Sendo assim, envie suas sugestões para o e-mail vulvalavida@gmail.com para: ministrar oficinas, facilitar discussões, socializar debates, criações, danças, artes, músicas, etc. É só chegar, tem espaço para tudo isso e muito mais. Participe e divulgue!
Nos encontramos, no lançamento do “Vulva la vida, vida lá vou eu”
Local: Sala Alexandre Robatto – Biblioteca dos Barris (Salvador/BA)
Data: 28/09/2011 (quarta-feira)
Horário: 19h
LANÇAMENTOS EM OUTROS ESTADOS:
Natal: 28/09 no Nalva Melo Café Salão, às 20h
Fortaleza: 28/09 no Centro de Humanidades (UECE), às 14h
Brasília: 24/10 na Universidade Católica de Brasília, Sala M OO2
Relatos
Olá a todas!
Após termos produzido, vivido e aproveitado o festival Vulva La Vida, nós precisamos registra-lo. Registrar, principalmente, a opinião das garotas que foram ao festival. Afinal de contas é esse feedback, essa resposta, que nos motiva a seguir em frente. É importante para nós sabermos suas opiniões, impressões sobre o festival, por isso: abra seu coração, e compartilhe tudo conosco!
Colabore, faça seu relato, e nos deixe conhecer melhor as garotas que fizeram o Vulva La Vida acontecer.
Aproveite, participe (mais uma) vez do Vulva La Vida com sua opinião (apaixonada)!
Conte o que o festival agregou para sua vida, o que ele mudou, acrescentou, o que te fez sentir.
Faça isso deixando sua opinião, como comentário!
Vídeo oficial de divulgação do Festival
Edição e produção: Nívia Reis
Trilha sonora: “Filhas, mães e irmãs” (Dominatrix)
Festival Vulva La Vida/Salvador/Jan. 2011
FESTIVAL VULVA LA VIDA
Estamos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca
experimentar a autonomia, nunca pisarmos, nem que seja por um momento
sequer, num pedaço de terra governado apenas pela liberdade? Estamos
reduzidos a sentir nostalgia pelo passado, ou pelo futuro? Devemos esperar
até que o mundo inteiro esteja livre do controle político para que pelo menos
um de nós possa afirmar que sabe o que é ser livre?(Hakin Bey – TAZ)
Esse festival é fruto da I Convocatória Riot Grrrl Salvador, organizada pelo Coletivo Na Lâmina da Faca, que ocorreu de 20/08 a 20/10/2010, tendo por objetivo aglutinar mulheres inseridas na contra-cultura feminista da cidade. Pra nossa surpresa, a convocatória – que começou como uma esperança de romper o ativismo individual ou de grupos pequenos e isolados – acabou tendo uma repercussão enorme (pra estrutura Faça-você-mesm@), acarretando num evento que foi construído não só pelo Coletivo, mas por uma rede de garotas.
Esse evento não deve ser confundido com eventos que acontecem sob o título de “Rock de Batom”, “Rock de calcinha”, etc. O Festival Vulva La Vida não é um evento que busca valorizar o “rock feminino”, pois não temos nenhum compromisso em manter o que nossa sociedade chama de “feminino”. Mas ao mesmo tempo também não temos nenhum compromisso com a masculinidade. Acreditamos no potencial do rock/hardcore e da música em geral enquanto possível destruidor da feminilidade tradicional, isso é, acreditamos na criação de outras formas de vivenciar o feminino que não estejam sufocadas pela imposição de características como doçura, servidão, passividade, permissibilidade, castidade. Daí vem a nossa identificação com o feminismo, pois o encaramos como uma visão de mundo que não diz respeito apenas à “questão da mulher” mas a todos os tipos de relação sociais, resultando numa aliança entre diversas lutas. Nos posicionamos, assim, desde um feminismo autônomo, anti-racista e anti-capitalista.
Trata-se de um festival de contra-cultura feminista: através da ética do faça-você-mesma, acreditamos que a mudança não depende da iniciativa dos partidos e instituições políticas; devemos pratica-la no dia-a-dia, desenvolvendo novos valores para as relações travadas no cotidiano. Isso implica em repensar nossos hábitos mais “íntimos”, fazendo a revolução das ruas à cama. Política também é diversão!
Enquanto o padrão do que é ser “mulher de verdade” for reproduzido, irão permanecer os obstáculos para a união entre nós. Pois, se ser “mulher de verdade” como Amélia, é viver alienada de si própria, renunciamos então à ideologia que nos quer inimigas. É essa solidariedade que queremos celebrar no festival; não se trata, no entanto, de uma união que se dá às custas das nossas diferenças. Somos mulheres, mas somos negras, brancas, de classes sociais e orientações sexuais distintas, provindas de diversos contextos sociais. No entanto, estas diferenças internas são abraçadas com entusiasmo, pois nos levam a riqueza e heterogeneidade deste evento.











